quarta-feira, maio 09, 2007

"Morrreu Madalena, morreu meu pai.
meu avo ja foi bem antes. e depois nao sobrou nada.

antes foi a vida, agora deserto,
perto vejo vultos, sombras formas estranhas.
minhas figuras que antes encantavam hoje sao sinônimo de espanto.
quem me veja que me assopre,
e três vezes diga bem a sorte.

assim se acalma o mar,
se irriga a seca
se encontra o par

o eco infinito

meu coração tem peso.
minha voz aguda

mas esqueça a emergência deste soneto
nao há drama nem há poesia"

domingo, maio 06, 2007

retorno

"naquele dia.
após empilhar gravetos de forma onírica.
meus pés saíam ao chão.
olhei em volta, a tribo que me gerou nao estava.
sonhei que me zombavam.

acordei. fui atrás de frutos maduros.
cego penetrei florestas, atravessei brumas,
mergulhei em rios. achei que ajudasse,
e me perdi.

quis carregar fardos, tao dificeis de explicar.
despertei.
em fim.
lembrei de mim.
lembrei tanto que até esqueci de todo o caminho até aqui.
e me perdi.

e acordei
meus pés saiam do chao.
de forma onirica vi que fazia parte de algo que nao sabia.

retornei ao inicio.
fiz de mim meu rascunho. apaguei cada palavra incerta.
revi todas as frases dificeis.
Falei de forma simples a todos.
me passei a limpo.

pude ver o mesmo rio, a mesma montanha,
tudo mais limpido.

e pude enfim, dormir."